#02 – Teimosia – Crônicas de algoritmo e conteúdo

Essa não é uma história sobre como eu consegui o meu primeiro case de insucesso. Não é uma história sobre como você não fazer alguma coisa. Não é uma história sobre como escolhas podem influenciar você, apesar de ser um dos temas aqui.

É uma história de como um pensamento equivocado pode levar você a uma jornada inesperada e fazer perceber que não é feio estar errado de vez em quando.

O chamado

Tudo começou com uma ligação às dez da manhã. Eu desconhecia completamente o número que estava na tela do meu celular e olhei para aquilo tocando por alguns segundos enquanto passava pela minha cabeça várias possibilidades de quem poderia ser.

Atendi.

Basicamente a ligação terminou e eu teria que estar a alguns minutos do meu home office em um local em que eu nunca tinha ido para conversar com pessoas que eu não conhecia sobre um trabalho que eu só fazia ideia de como funcionava na teoria.

A decisão

Nada mal, aceitei o desafio. Se desse tudo errado, teria um aprendizado incrível. Se desse certo, um case de sucesso. De qualquer forma, teria uma história para contar. Eu sentia, de alguma forma, que precisava passar por isso. Era uma espécie de aprovação para algo maior, como do Doze Trabalhos de Hércules.

Mas diferente de Hércules, eu não me tornei imortal no final do episódio. Mas pude garantir que nas próximas semanas a minha vida tomaria um rumo completamente diferente. Eu tinha a certeza disso, mas não foi exatamente como eu esperava.

O começo

Tudo parecia estar sob controle. Ao menos, era o que eu achava. Estava bem empolgada para começar essa nova experiência. E o fato de ter deixado tudo transparente, desde o início, quanto à minha falta de experiência, me deixou menos desconfortável em perguntar.

Mas mal sabia eu que estava indo por um caminho em que as pessoas menos gostavam: receber perguntas. E muito menos de uma pessoa com seus vinte e poucos anos.

E a pior parte nem era fazer as perguntas e receber respostas insatisfatórias, acredite. Sentir que as coisas não estavam andando conforme o planejamento que você fez na sua cabeça era um sentimento latente e que eu não desejo para ninguém.

A queda

Frustração e questionamentos pela madrugada a dentro misturados com leituras (mais teoria!) sobre o tema e inúmeras horas extras não contabilizadas no então abandonado home office eram coisas comuns. Acordar em algumas horas desejando que tudo não passasse de um pesadelo e que o dia seguinte fosse menos pior que o anterior era rotina.

Tudo isso porque eu comecei com uma tese e jurava que eu estava certa: as pessoas desse meio sabem o que faz uma pessoa da área de comunicação.

“Claro, eles estão há mais tempo nesse nicho”, pensei.

Pensei errado. Chutei pro alto e a bola foi pra fora do estádio.

A crise

Eu não queria acreditar que eu estava errada. Não podia ser possível.

Depois de semanas, percebia algo que estava na minha frente e dediquei tempo e esforço para atingir um outro objetivo, que parecia ser importante, mas não era o que precisava ser feito. “Se eu tivesse percebido antes, teria sido muito diferente”. A minha comunicação teria sido diferente.

Entrei em crise. Se eu não conseguia me estabelecer como eu poderia querer algo muito maior? “Que diabos de história é essa que estou construindo?” era a pergunta que eu me fazia no início e no final do dia.

Em 90% das vezes, eu não sabia responder. Nos outros 10%, eu achava que sabia.

Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu ia querer fazer o que estou fazendo hoje?”. E a resposta era “não”. Eu via projetos que eu dedicava meu coração completamente parados, grupos em que eu coloquei minha alma abandonados e saúde quase esquecida.

O renascimento

Eu não poderia deixar que todo o tempo e as perdas fossem em vão. Já tinha percorrido um longo caminho. Porém, uma parte minha falava “apenas pare, está tudo bem”. Eu ignorei.

Por conta disso, depois de alguns dias, uma segunda crise se instalou em mim. Paralisei e percebi o quanto eu estava perdendo. Era hora de jogar a toalha. Não daria para vencer essa luta sozinha, principalmente do jeito que eu estava fazendo. Dei vários murros em ponta de faca jurando que estava dando socos de direita.

Uma tese que eu tinha toda a certeza tinha ido por água abaixo e carregado junto algumas semanas longe daquilo em que eu realmente acreditava e uma estratégia que eu confiava, mas estava fadada ao fracasso.

Um pensamento que parecia ser claro como a água, mas não estava provado. Eu não tive como base fatos, mas argumentos de outras pessoas com a mesma tese.

Recompensa

O meu objetivo era ter uma história para contar. No final, foi exatamente isso o que eu conquistei. Junto disso, uma outra certeza de que em algum lugar desse mundo alguém não sabe sobre o que é o seu trabalho e acha que sabe tão bem quanto você.

A sua missão, a partir de hoje, é identificar essas pessoas, mesmo que pareça que elas estão dispostas a ouvir e a se abrir. Esse é o disfarce mais perigoso e a batalha mais difícil que você irá enfrentar. E caso as coisas estejam difíceis, desistir pode ser uma escolha, independente da situação.

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