Posicionamento de marca: aprenda com o poker

Jogo de poker (e qualquer outro jogo de baralho) é muito mais estratégia que sorte. No truco, por exemplo, o blefe é uma das maiores habilidades que o jogadores têm que ter. E claro, isso não é diferente do poker.

Mas aqui não vamos abordar a capacidade de omitir (ou mentir) informações. Você entende o suficiente de comportamento humano para entrar numa partida de marketing digital? Melhor: você entende as regras do jogo para estar no ambiente digital?

Para explicar um pouco disso, vou usar aqui a psicologia do poker, denominado por alguns de “poker thinking”. Primeiro, vamos entender o que é isso e do que se trata o poker.

Não é apenas sorte

O que você precisa saber é que existem vários tipos de poker, sendo o mais popular o Texas Hold’em. Nele, cada jogador recebe duas cartas e têm ainda 5 cartas que são abertas no centro da mesa (são chamadas de cartas comunitárias).

Essas cartas comunitárias são viradas em determinados momentos do jogo. E nesses momentos, os jogadores fazem suas apostas, conforme sequência. Cada jogador deve formar a melhor combinação possível para ganhar a partida usando no total 5 cartas: duas da mão com três da mesa; uma da mão com quatro da mesa ou com as cinco da mesa.

Existem ainda outras regras, mas para entender o poker thinking essa descrição básica é o suficiente. Caso você tenha se interessado em aprender mais, sugiro fortemente o portal Poker Stars (e vamos marcar de jogar, ein!).

O poker thinking é um processo de tomadas de decisões dentro de uma partida de poker. No post de hoje, vamos focar apenas em parte desse processo.

Todo jogador de poker se faz algumas perguntas durante a partida: chamamos de níveis de pensamentos. É usando essas perguntas que iremos mostrar como você pode adaptá-las na sua estratégia de marketing.

Iremos simular parte de uma partida de poker. Você está numa mesa com mais algumas pessoas. As posições dos jogadores também influenciam no modo de jogo de cada um, mas não iremos considerar isso aqui. Você acabou de receber as suas duas cartas.

1) O que eu tenho?

Essa é a pergunta que é feita logo quando você recebe as suas duas cartas. Independente de quais sejam, é a ferramenta que você tem no momento para vencer a partida. Um par de Ás seria ótimo, mas você tem apenas um 3 e um 4 na mão. Não parece ser grande coisa.

2) O que o(s) meu(s) oponentes têm?

Depois de avaliar a sua mão, você analisa os seus adversários. Uma coçada na orelha ou um movimento na cadeira para ajustar a postura já significam bastante coisa, principalmente se você joga com essas pessoas há algumas rodadas e ficou de olhos abertos aos padrões. Foi o que eu disse: poker é está muito mais ligado ao psicológico do que você imagina.

3) O que meu oponente pensa que eu tenho?

Aqui é um dos momentos para o blefe. Você analisou toda a mesa, já entendeu dos comportamentos dos adversários. Um dos adversários saiu da partida e os outros dois não fazem grandes apostas.

Você sabe que tem um péssimo hábito de beber água quando tem uma mão boa. E você sabe que seus adversários sabem disso. Você tem um 3 e 4, são cartas baixas. Você pega calmamente a sua garrafinha de água para se hidratar (isso é chamado de “fake tells”: você faz um comportamento com a intenção de transmitir um blefe).

4) O que meu oponente pensa que eu penso que ele tem?

Essa é uma das perguntas avançadas. Você vai começar a projetar as formas de pensamento dos seus adversários conforme os padrões de comportamento que você observou e reteu ao longo da partida e conforme cada resultado.

Vou parar por aqui porque pode dar nó na cabeça. Existem ainda outros níveis de pensamento do poker. E durante uma partida, essas perguntas acontecem o tempo inteiro.

Tá… E onde entra o marketing nessa história?

Poker Thinking aplicado ao seu posicionamento no digital

Como você pode ter percebido, o poker não é um jogo de sorte. No marketing digital, o planejamento e a estratégia são rei e rainha; os posts são apenas peões ao analisarmos todo o conjunto do trabalho no digital (quem joga xadrez pegou a referência!)

Vamos agora adaptar os níveis de pensamento de um jogador de poker:

1) O que você pensa

Primeiro é preciso identificar: quem é você? Quais são os seus valores? O que você faz? Trace como você quer se posicionar no mercado.

2) O que o outro pensa

Assim como no poker, em que precisamos analisar o comportamento das pessoas, isso não é diferente ao fazer conteúdos para (advinha?) pessoas! Você não precisa apenas observar padrões para isso: existe uma técnica que poucos fazem e que vai render a você grandes ideias em pouco tempo. São as perguntas!

Parece óbvio demais, mas isso quase ninguém faz. Pergunte aos seus clientes, procure entender o que eles pensam sobre você e seu negócio.

3) O que o outro pensa que você pensa

Como são as suas ações e o seu posicionamento em determinados assuntos? Lembrando que, apesar de ser um baita tiro no pé, existem marcas que defendem uma coisa e se posicionam de forma contrária.

Um exemplo bem simples para que você entenda é aquele amigo que se diz vegetariano mas come carne na primeira oportunidade. Nada contra os vegetarianos e nem com quem come carne. Mas essa atitude é um pouco estranha. Acredite: esse tipo de comportamento é muito comum com várias marcas.

É aqui que você vai identificar como anda o posicionamento que você quer transmitir: as pessoas estão entendendo ou você nem faz questão de saber disso?

4) O que o outro pensa que você pensa dele

Aqui a coisa é mais hard: como o seu público acha que você pensa dele?

É aquela frase que já ouvimos (ou falamos) várias vezes… “a empresa X acha q eu sou burro, né?”. Publicar conteúdos rasos demais ou profundos demais também pode não ser uma das melhores formas de fazer conteúdo.

4 comportamentos do poker para você adaptar

Aprenda as regras do jogo

Cada plataforma, mídia social e público funcionam e reagem de formas diferentes. Pessoas que querem emagrecer e fanáticos por hamburguer vão olhar de formas diferentes para aquela publicação que você fez sobre o combo do dia na sua lanchonete.

Jogar em equipe também faz parte

Aposte em chamar outras pessoas: trabalhar com micro influenciadores é uma boa opção. E que tal juntar todos os fãs da sua marca e criar comunidades fortes em torno do seu negócio? Os grupos no Facebook estão cada vez melhores para quem busca engajamento e quem sabe, algumas compras ao longo do mês.

Observe os outros jogadores da mesa

Não tem nada de errado em ver o que os seus concorrentes estão fazendo. Lembre-se de não focar exclusivamente nisso e esquecer de você. Já vi alguns clientes gastando horas do dia olhando o que o fulano publica e demorando mais alguns dias em aprovar os conteúdos que a agência envia.

Observe o mercado, veja onde os seus concorrentes estão errando e procure fazer pelo menos 10 vezes melhor. Isso já será um bom começo.

Não aposte todas as suas fichas de vez

Por mais que no poker exista o “all-in”, que consiste em apostar todas as fichas (seja porque a mão é muito boa ou porque é um blefe bem dado), no digital você não deve apostar todo o seu tempo, esforço e dinheiro em um único lugar. Por isso que sempre sugerimos ter um site além das mídias sociais, por exemplo.

Começar com um perfil no Instagram é ótimo, mas procure ter outras formas de atrair o seu público. Não estamos falando de ter perfis nas várias mídias sociais que existem! Olhe onde o seu público está e tenha uma presença significativa lá.

O que você pode fazer hoje

Olhe para o que você já está fazendo e veja o que pode fazer melhor. Por exemplo, se você não faz conteúdos de formas consistentes, isso já é algo que você tem que resolver. Faça uma lista de coisas que você queira mudar e tome uma ação para cada uma delas.

Você não precisa ter milhares de reais para investir no digital, precisa apenas de fazer pequenas coisas que irão gerar impacto e serem responsáveis por parte dos seus resultados.