Teoria do Laços de Mark Granovetter

Do abstrato para o prático: Granovetter

Em pouco tempo de mercado, percebemos que muitas profissionais da área pulam a parte das teorias de comunicação e já querem colocar uma landing page no ar sem saber o bê-a-bá da comunicação. Porém, ficar somente em teorias, afiando a espada, sem levar as suas armas para o campo de batalha é um desperdício de tempo. Assim como ficar apenas na retaguarda esperando ordens não é a melhor atitude que você irá tomar.

Por conta disso, resolvemos começar uma série de publicações sobre teorias das mídias digitais. Só que, diferente de só copiar e colar o que o autor diz, iremos contextualizá-la e mostrar, de forma prática e resumida, como você poderá estudá-la. A primeira que escolhemos foi a Teoria do Laços, de Granovetter.

Origens

Mark Granovetter, em 1973, buscou entender como acontece a difusão de informações. Ele focou na relação entre as pessoas (força dos laços) como interferência da propagação das mensagens. Laço é o elemento de ligação entre as pessoas (atores) que participam de uma determinada rede. Uma rede, a grosso modo, é o conjunto de atores, ligados por laços fortes e/ou fracos.

Ah, então “rede social” não significa, necessariamente, algo exclusivo da internet?

Isso mesmo! Redes sociais existem desde os primórdios da humanidade. O que a internet fez foi, genericamente falando, aumentar o tamanho dessas redes. E para isso usou de mídias digitais.

Além disso, “redes sociais” e “mídias digitais” não são sinônimos: para existir uma rede social, não é necessário existir uma mídia digital. Mas vale lembrar que muitas redes sociais são formadas graças a uma determinada mídia digital.

Força de um laço social

Granovetter divide os laços sociais em três categorias: fortes, fracos e ausentes. Quanto maior a intensidade emocional do vínculo entre dois indivíduos, a confiança mútua, a reciprocidade etc, maior é a força do laço. Para Granovetter, os laços fracos têm maior importância na dinâmica das redes do que os demais.

Vamos lá… Abra o seu Facebook. Veja quantos amigos você tem. Agora, desses amigos, quantos você realmente conversa, troca mensagens e confia a ponto de contar detalhes da sua vida? Esses são os seus “laços fortes”. Certamente são a minoria, digamos que 5% de todos os seus contatos.

E vamos um pouco mais além. Provavelmente dentro desses 95% estão os amigos “de internet”: você conheceu em algum momento, adicionou como “amigo” no Facebook. E vamos imaginar que essas pessoas somente “curtem” as suas publicações e, em alguns momentos, “compartilham”. Essas pessoas estão mais distantes de você do que o seu círculo mais próximo de amigos. E é exatamente por isso que os laços fracos são tão importantes.

Laços fortes x fracos

Por estarem distantes, seus laços fracos são capazes de levar sua mensagem “compartilhada” a outras pessoas, de outros círculos: seja os seus próprios círculos com laços mais fortes ou a outras pessoas com laços mais fracos. E assim a propagação da mensagem continua, criando novas conexões. O que é diferente do que acontece com uma mensagem difundida com os laços fortes.

Para Granovetter, quanto maior a força do laço entre duas pessoas, maior a chance de que o círculo de amigos seja comum e que a mensagem fique apenas naquele círculo, não atingindo outros círculos de relacionamentos.

Por mais óbvio que possa parecer, essa teoria é uma das bases para entender o comportamento dos atores dentro de uma rede. Apesar de a teoria ser da década de 1970, Granovetter já previu o comportamento de usuários do digital: isso mostra que as mídias digitais não são o “marco zero” da sociedade, como muitos afirmam. Afinal, o Facebook (que usamos como exemplo) só foi criado anos depois, em 2004 e a teoria foi aplicada facilmente. Isso mostra que teorias ditas como “antigas” e “ultrapassadas” merecem uma atenção especial, principalmente de quem trabalha nesse meio.

Dicas de leitura:

GRANOVETTER, M. (1973). The strength of weak ties. In: American Journal of Sociology, University Chicago Press, Chicago, v. 78, Issue 6, p.1930-1938.
______. (1983). The strength of weak ties: a network theory revisited. In: Sociological Theory. Ed. Randall Collins. San Francisco, Califórnia, série Jossey-Bass, v.1. p.2001-2233.
______. (1978). Threshold models of collective behavior. In: American Journal of Sociology. University Chicago Press. Chicago, v. 83, n. 6, p. 1420-1443.

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