A escola não ensinou, aprendemos com o RPG de mesa

Toda atividade, seja ela relacionada a negócios ou não, ocorre em torno de decisões. Ao longo do dia somos obrigados a tomar decisões que impactam a nossa vida. E em muitos momentos, elas serão as principais responsáveis em definir quem somos.

É uma realidade: a maioria das escolas não ensinam os estudantes a tomarem decisões. Esse não é um problema exclusivo do nosso sistema educacional, mas também na forma como os pais lidam com o processo de criação dos filhos. Somos ensinados para fazer o que alguém nos diz, mas não para tomar decisões. Somos ensinados a executar as ordens que recebemos em nosso ambiente de trabalho, exatamente como foi pedida. “Inovar? Dar ideias? Entregar o melhor? Isso é para os loucos, não é para mim. Não tenho tempo para isso”.

Na maioria do processo de aprendizagem atual, as pessoas são punidas com uma prova ou teste, com perguntas de “certo ou errado” (como se as coisas fossem tão pretas e brancas na vida real). A aprendizagem geralmente é associada a situações de estresse, em vez de momentos agradáveis. Isso é ainda mais forte nas disciplinas em que o estudante encontra dificuldades, fazendo com que ele odeie o assunto ainda mais e, muitas vezes, criando um bloqueio mental. E então a criança cresce se tornando um adulto “problemático” no ambiente de trabalho.

Fórmulas mágicas para resolver problemas e tomar decisões não existem. A única receita que existe é o “depende”: depende das pessoas que estão envolvidas, depende do cenário e da situação em que você se encontra e depende das informações disponíveis.

O exercício do planejamento e da previsão de cenários é importante. Afinal, se não podemos prever, não podemos saber em quais situações arriscadas poderemos entrar. Jogos de RPG, por exemplo, mostram uma saída: modelam a realidade e estimulam a resolução de problemas.

Em geral, nos jogos de RPG de mesa têm situações onde a solução está aberta para jogadores: há várias maneiras de resolver uma situação, variando desde a força bruta até a astúcia e a diplomacia. Ou uma combinação de ambas. As diferentes habilidades do grupo são mais valiosas em conjunto do que usadas individualmente e cada um possui papel importante na solução do caso.

Um bom exemplo, dentro da Teoria dos Jogos, sobre a tomada de decisões é o Dilema dos Prisioneiros:

Dois prisioneiros são suspeitos de um crime e colocados em celas separadas. Se ambos confessarem, cada um deles será condenado a quatro anos de prisão. Se apenas um confessar, ele será condenado a um ano de prisão e usado como testemunha contra o outro, que será condenado a cinco anos de prisão. Se nenhum deles confessar, ambos serão condenados por um crime menor e pagarão apenas dois anos de prisão.

Aqui a explicação mais a fundo sobre o Dilema dos Prisioneiros.

Aqui uma explicação gamificada sobre o mesmo dilema. Um jogo chamado de “A Evolução da Confiança”.

Os jogos são entendidos como diversão, não como tempo de estudos. Por isso é tão importante aliar alguns conhecimentos a eles. A adrenalina presente em cada momento que jogamos (seja o próprio RPG de mesa ou outros jogos) torna os seres humanos mais atentos e perceptivos, aumentando a velocidade de aprendizado.

No final das contas, tudo gira em torno das decisões, mas a maneira como aprendemos a tomar decisões é por tentativa e erro. Errar dentro do contexto do RPG de mesa, em um mundo fictício é ótimo, diferente do mundo corporativo, onde cabeças rolam (não literalmente, claro). Porém, temos que entender que qualquer modelo de simulação é um modelo de realidade. Dentro do RPG de mesa, trabalho em equipe e criatividade são peças fundamentais para um bom jogador, características bem importantes no mundo corporativo também. Agora, questiono se você está preparado para errar no mundo real.